“Defino-me como alguém que procura transformar as dificuldades em oportunidades e fazer da inclusão uma prática concreta, e não apenas um discurso”, afirma Júlia Cassua, profissional com mais de 20 anos de experiência na educação infantil, dos quais 12 dedicados ao ensino especial.
Ao longo da sua trajectória profissional, construiu uma visão da educação que vai além da transmissão de conhecimentos. Acredita que educar significa reconhecer capacidades, respeitar diferenças, criar oportunidades e ajudar cada criança a descobrir o seu potencial. “Educar não é apenas transmitir conteúdos; é também criar condições para que cada criança se sinta valorizada, segura e capaz de participar”, explica.

Neste sentido, considera fundamental encontrar estratégias que respeitem o ritmo de aprendizagem, as capacidades e as necessidades de cada aluno. “Cada criança aprende de forma diferente. Por isso, o nosso papel é encontrar estratégias que respeitem o ritmo, as capacidades e as necessidades de cada aluno”, sublinha.
Actualmente, exerce a função de responsável pela Área do Ensino Especial do município de Talatona, cargo que lhe permite contribuir para a organização, o acompanhamento e a promoção de respostas educativas mais inclusivas. No exercício desta responsabilidade, defende que o ensino especial deve ser parte integrante do sistema educativo, com condições que permitam a participação e a aprendizagem de todas as crianças.
O seu percurso profissional teve início em 2004, numa sala de aula inclusiva, experiência que lhe permitiu compreender que ser professora vai muito além de ensinar conteúdos. Implica reconhecer as diferenças entre os alunos, identificar as suas necessidades e encontrar formas de apoiar a aprendizagem de cada um. Foi também neste contexto que percebeu a importância das pequenas adaptações no processo educativo, capazes de melhorar a aprendizagem e a participação dos alunos.
Entre os seus principais objectivos está o fortalecimento do trabalho do Atendimento Educativo Especializado, através da formação e orientação dos professores, da melhoria dos mecanismos de identificação e acompanhamento dos alunos e do incentivo a uma maior participação das famílias. Pretende igualmente contribuir para o desenvolvimento de uma rede de apoio às famílias atípicas, promovendo uma actuação conjunta entre professores, encarregados de educação e instituições.
Para Júlia Cassua, a construção de uma educação verdadeiramente inclusiva exige responsabilidade partilhada, preparação dos profissionais e maior envolvimento das famílias. A sua actuação assenta na convicção de que todas as crianças têm potencial para aprender, desenvolver capacidades e contribuir para o desenvolvimento da sociedade, independentemente da sua condição.
Texto: Chirley Vicente

