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Feito Por Ellas

Carmem Barros Directora Executiva da Jem´s traça novo horizonte para a joalharia de luxo em Angola

A experiência em engenharia ambiental, sustentabilidade e gestão de projectos conduziu Carmem Barros a um novo desafio profissional: a direcção executiva da Jem’s, uma marca angolana de joalharia que se estreou no mercado no passado dia 8 de Outubro com a colecção “To Ti En Einai”, inspirada nos elementos históricos e culturais de Angola, transformados em peças de luxo.

FPE- A sua trajectória profissional está ligada à engenharia ambiental, à sustentabilidade e à implementação de políticas de governança ambiental, social e corporativa. Como surgiu a oportunidade de abraçar o desafio de liderar a Jem’s?

CB: A oportunidade de liderar a Jem´s surgiu depois que me posicionei como uma mulher que tem capacidade de gerir grandes projectos de qualquer natureza. Nos últimos três anos entrei para o sector mineiro, estando na área extrativa. Trabalhar nesta área me deixou mais exposta a outros negócios dentro da mesma cadeia, e um deles é a transformação da matéria-prima e a concepção do produto final. Embora trabalhe com sustentabilidade, a minha trajectória profissional sempre esteve mais ligada à liderança do que propriamente à engenharia ambiental.

FPE- O que a motivou a aceitar este projecto?

CB:  Eu sempre gostei de ser pioneira, sempre gostei de começar do zero e arrisco em dizer que este foi  o motivo que mais captou o meu interesse pelo projecto. Fora o facto de que as experiências profissionais que tive ao longo do tempo capacitaram-me para reconhecer projectos que têm pernas para andar e capacidade de se tornarem uma referência respeitada pelos players do mesmo sector. Portanto, não me restaram opções senão fazer parte da construção deste legado.

FPE- De que forma pretende incorporar questões ambientais e práticas responsáveis na gestão da Jem’s?

CB: Por ser um segmento de luxo, este sector é muitas vezes associado ao branqueamento de capitais e exploração descontrolada de recursos. Entretanto, o nicho já possui características que levam o consumidor a preferir produtos que respeitam princípios e praticas responsáveis como a transparência, rastreabilidade, entre outros. A minha estratégia é apresentar aos nossos consumidores a nossa responsabilidade social e ambiental como um bónus que eles têm ao aderir aos nossos serviços de joalharia. Assim, não entregamos apenas os melhores resultados técnicos, mas também tiramos o peso do consumidor de estar a consumir produtos que não sejam sustentáveis e que afectam a reputação da empresa e de quem compra.

FPE- Enquanto engenheira ambiental, desenvolveu competências técnicas de gestão e liderança. Quais dessas competências considera mais importantes para desempenhar actualmente as suas funções na Jem’s?

CB: A engenharia dá-nos o superpoder de resolver problemas, contornar situações imprevistas e achar soluções mais sustentáveis para cada acção. Estes poderes aprimoram em mim competências essenciais para o negócio. Então, as competência mais importantes que adquiri passam pela forte e rápida capacidade analítica, a gestão de recursos escassos, o pensamento lógico e a capacidade de estudo comportamental.

FPE- Qual é a sua visão para a Jem’s e que posicionamento pretende construir para a marca no mercado angolano?

CB: A nossa visão é tornamo-mos pioneiros na produção nacional de jóias e fazer da Jem´s a maior referência em joalharia, de África para o mundo.

FPE- Ao assumir a liderança de uma marca de joalharia, que conhecimentos teve de aprofundar sobre o sector?

CB: Tive de agregar os meus conhecimentos técnicos e de gestão adquiridos no sector diamantífero com os conhecimentos socioeconómicos que trago tanto da academia como da administração pública. Também estudei e consultei pessoas mais experientes que me fizeram perceber que precisava reconhecer o papel importante que o mercado de luxo tem para o desenvolvimento do país e como se pode usar o desejo do consumo em geração de valor colectivo, já que a joalharia consome os recursos explorados tanto quanto a indústria.

FPE- A Jem’s lançou recentemente uma colecção de jóias que celebra a história e a identidade angolana. Qual é o conceito que orienta esta colecção e que mensagem pretende transmitir?

CB: A coleccão “To Ti En Einai” carrega o conceito de essência como a tradução sugere: “é o que era para ser”. Não fabricamos apenas  joias, eternizamos a nossa história. Transmitimos que também é possível traduzir em luxo a vida de pais e mães angolanas que viveram para formar a geração que temos hoje. Mais do que dar certificados de mérito, podemos mostrar ao mundo que a nossa forma de viver é digna de se transformar em pedras preciosas.

FPE-As joias da marca Jem’s são feitas com recursos extraídos no solo angolano?

CB: Não, todo o material foi adquirido e transformado fora de Angola, porém, criado e produzido por angolanos. Assim, a Jem’s é uma marca angolana com todos os direitos autorais. A coleção é hoje considerada  100% nacional.

FPE- Como foram seleccionadas as referências históricas e culturais que inspiraram as peças e que elementos da identidade angolana procuraram valorizar através desta colecção?

CB: A coleccão teve como inspiração a vida de pessoas, de pais e mães, típicos angolanos. Queríamos transformar as histórias reais do dia-a-dia em arte. Para isso recorremos a símbolos que representam a nossa gente, como a  bengala dos nossos mais velhos, os balaios das nossas mamas comerciantes, a força da nossa palanca negra gigante, o punho fechado dos nossos guerreiros, a força e resiliência da nossa welwitchia.

FPE- Que público pretende alcançar com esta colecção e como espera que a ligação à identidade angolana influencie a percepção e a procura pelas peças?

CB: Embora recorremos na primeira coleção a uma vertente mais nacionalista, o nosso público é bastante seleccionado. Contudo, temos o objectivo de tornar as nossas peças património nacional com identidade 100% angolana. O foco é atender a um segmento de clientes premium, que na verdade são eles quem decidem o que querem. Queremos que as pessoas aprendam a valorizar a nossa cultura e que percebam  a riqueza que ela pode produzir. Queremos também que os angolanos escolham o que querem usar e tenham a possibilidade de criar tendências muito exclusivas, cuja base não seja apenas ter dinheiro para comprar mas também merecer ter aquele artigo. Obviamente também queremos alcançar mercados internacionais e levar para fora produtos feitos em Angola com a qualidade que os padrões mundiais exigem.

FPE- Que papel atribui à joalharia na preservação e divulgação do património cultural angolano, sobretudo junto das novas gerações e dos mercados internacionais?

CB: Actualmente não se faz sentir o papel da joalharia na preservação e divulgação da cultura angolana, mas é exactamente isso que a Jem´s quer e está a fazer. Certamente que daqui a alguns anos Angola será não apenas conhecida pela riqueza que possui em solo e subsolo, mas também pelo poder que terá de transformar essa riqueza em produtos de luxo que levam para o mundo a nossa identidade e assinatura.

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