A experiência acumulada ao longo de duas décadas na Sonangol EP permitiu a Estácia Tomé acompanhar a evolução do secretariado executivo e compreender a importância desta função na dinâmica das organizações. Actualmente secretária do Conselho de Administração, a profissional defende maior reconhecimento da actividade e aposta na transmissão de conhecimentos, através de formações, consultorias e workshops.
A ligação de Estácia Tomé ao secretariado começou em 1997. Desde então, construiu um percurso profissional marcado por diferentes experiências, incluindo a passagem pela Sonamet, em Benguela, até chegar à Sonangol EP, onde trabalha há duas décadas.

A escolha da profissão teve também influência familiar. A mãe, Manuela Carneiro, foi uma das figuras determinantes neste percurso, transmitindo-lhe disciplina, exigência e sentido de responsabilidade. “Ela foi uma pessoa muito exigente. Não só me ajudou a ser uma excelente secretária, como também contribuiu para que eu me tornasse uma pessoa melhor”, recorda.
Embora tenha aprofundado conhecimentos em gestão de marketing, nunca se afastou do secretariado. A identificação com a área está, sobretudo, na relação com as pessoas e na possibilidade de contribuir para o funcionamento das equipas. “Gosto de pessoas, gosto de gerir pessoas, de ajudar e de trabalhar com empatia e amor. É isso que me faz continuar neste ramo”, afirma.
Ao longo de 20 anos, enfrentou situações que exigiram capacidade de resposta, flexibilidade e sentido de missão. Uma das aprendizagens mais importantes foi perceber que o trabalho de uma secretária executiva não termina na execução de tarefas. É necessário compreender as necessidades da liderança, antecipar problemas e apresentar soluções.
“Houve situações em que tive de assegurar reuniões da Comissão Executiva com mais de 20 pessoas, porque uma colega tinha cometido um erro. Naquele momento, tive de assumir a responsabilidade e garantir que tudo acontecesse”, conta.
Hoje, reconhece que a experiência lhe permite adoptar uma postura mais participativa no acompanhamento das decisões. “Há coisas que já não são apenas para executar. É preciso perguntar, fazer uma concertação com o líder e apresentar alternativas. Às vezes, temos de chamar a atenção: chefe, se fizermos desta forma, podemos ter esta consequência. Não será melhor seguirmos outro caminho?”, explica.

Esta capacidade de antecipação é, na sua perspectiva, uma das competências que distinguem a secretária executiva actual. A profissional considera que a evolução da função exige preparação contínua, domínio de novas ferramentas e maior compreensão da dinâmica das organizações.
É também neste contexto que surgiu a iniciativa de formação, consultoria e workshops que actualmente orienta. O projecto nasceu da vontade de partilhar experiências e preparar outras profissionais, sobretudo aquelas que, apesar de exercerem funções na área, ainda precisam de consolidar conhecimentos técnicos e comportamentais.
“Quero trocar experiências, mas também ensinar. Amanhã, a Estácia não estará aqui, mas é importante deixar um bom marco na vida das pessoas. E deixar esse marco significa transmitir conhecimento, ensinar o caminho e caminhar com outras profissionais”, sublinha.
A iniciativa não se limita à experiência individual da mentora. Estácia Tomé faz questão de destacar o envolvimento de outras profissionais que abraçaram o desafio. “Eu sou a mentora, sim, mas não estou sozinha. É um projecto grande, com muitas colegas que acreditaram nesta iniciativa”, esclarece.
Entre os conteúdos ministrados estão a gestão de agenda, comunicação, protocolo institucional, gestão de conflitos, gestão de crises e pressão, organização documental e análise de perfis comportamentais. A abordagem procura responder às exigências práticas do mercado de trabalho e reforçar competências que influenciam directamente a produtividade e a qualidade do desempenho profissional.
Texto: Janeth Cabeia

