A maior novidade da FILDA 2026 não foi um produto nem um serviço inovador. Foi a cooperação entre empresas. Nesta edição, assistimos a uma Feira Internacional de Luanda, em que a colaboração ganhou mais protagonismo do que a concorrência. E essa pode ser uma boa notícia para o futuro da economia nacional.
Durante muito tempo, as empresas procuraram crescer sozinhas. Acreditava-se que o sucesso dependia da capacidade de cada uma conquistar o seu espaço. Hoje, essa lógica começa a mudar.
A economia cresce mais depressa quando as empresas deixam de ser apenas concorrentes e passam também a ser parceiras.
Foi precisamente esse espírito que marcou a 41.ª edição da Feira Internacional de Luanda. Empresas públicas e privadas escolheram unir forças. Criaram alianças estratégicas, partilharam conhecimento e desenvolveram soluções conjuntas. Mostraram que é possível gerar valor em conjunto.
A parceria entre a Etu Energy e o Centro de Ciências de Luanda é um bom exemplo. Juntas, decidiram investir na educação das futuras gerações. Uma iniciativa que demonstra que preparar o futuro também faz parte da responsabilidade das empresas.
O BFA e a plataforma Allora apresentaram outra parceria com impacto. No Stand Carbono Neutro, os visitantes puderam calcular as emissões de dióxido de carbono produzidas nas suas deslocações até à FILDA. Essas emissões serão compensadas através de projectos de protecção ambiental. Foi também um convite à responsabilidade colectiva.
Já a Protejja e a Probeauty mostraram que até os pequenos detalhes fazem a diferença. Os brindes de cuidados pessoais distribuídos aos visitantes do stand da Protejja foram produzidos pela Probeauty. Um gesto simples, mas que reforça o valor da colaboração entre empresas nacionais.
No sector da moda, o Atelier Rose Palhares e a ENSA deram um exemplo inspirador. Os colaboradores da seguradora vestiram a colecção institucional “Feitos para Durar”, assinada pela estilista angolana Rose Palhares. A parceria valorizou a produção nacional e provou que o talento angolano pode fazer parte da identidade das grandes organizações.
Estas iniciativas mostram que o verdadeiro crescimento acontece quando uma empresa cria oportunidades para outra crescer consigo. É assim que nasce a reciprocidade. Cada parceria gera confiança. Cada projecto conjunto fortalece o mercado. E cada conquista partilhada aproxima Angola de uma economia mais sólida e competitiva.
A FILDA 2026 deixa, por isso, uma das lições mais importantes dos últimos anos: nenhuma empresa perde quando decide colaborar. Pelo contrário, todos ganham. Ganham as marcas. Ganham os consumidores. Ganha o país.
Se esta cultura de cooperação continuar para além da FILDA, talvez estejamos perante o início de uma nova forma de fazer negócios em Angola. E essa será, sem dúvida, a maior conquista desta edição da feira.
Texto: Janeth Cabeia – Comunicóloga



