Durante muitos anos, Maria Brandão acreditou que a arte era apenas uma paixão que a acompanhava desde a infância. Formou-se em Medicina Dentária, mas nunca deixou de desenhar, pintar e criar. Foi apenas quando decidiu apresentar o seu trabalho ao público que percebeu que aquele talento podia transformar-se numa profissão e num projecto de vida.
“A arte sempre esteve presente em mim, mas nunca me foi apresentada como uma profissão”, recorda a artista, que hoje se dedica à escultura, à cerâmica e à pintura mural. O reconhecimento das suas obras marcou o início de uma nova etapa e deu-lhe a confiança necessária para seguir um caminho guiado pela criatividade.

“Foi quando decidi expor o meu trabalho que percebi o seu verdadeiro potencial. Ver as pessoas valorizarem aquilo que eu fazia fez-me compreender que era possível construir um negócio a partir da arte”, afirma.
Desde então, cada peça que cria nasce com um propósito que vai muito além da estética. Maria Brandão inspira-se nas pessoas, nas suas histórias e na ligação que cada obra pode criar com quem a recebe. “Quando crio uma peça, penso em quem vai recebê-la, no significado que ela poderá ter e na identidade que poderá transmitir”, explica.
É precisamente essa autenticidade que distingue o seu trabalho. A artista acredita que as pessoas procuram cada vez mais obras que carreguem identidade, cultura e emoção. Mais do que objectos decorativos, as suas peças procuram despertar memórias e criar ligações.

Entre todas as criações que já desenvolveu, guarda um carinho especial pelas primeiras esculturas. Apesar de as considerar imperfeitas, vê nelas o ponto de partida da sua trajectória artística. “Representam o início da minha caminhada. Foram elas que me mostraram que era possível evoluir e transformar a arte na minha profissão”, revela. Sem seguir um método rígido, Maria Brandão deixa-se conduzir pela intuição. As ideias surgem de diferentes formas e cada obra segue o seu próprio processo criativo, alimentado pela experiência, pela sensibilidade e pela vontade constante de experimentar.

Além da cerâmica e da escultura, encontrou no muralismo outra forma de aproximar a arte das pessoas. Através das pinturas em paredes, procura transformar espaços e torná-los mais acolhedores, criativos e representativos de quem os vive. Hoje, um dos seus maiores sonhos já começou a ganhar forma com a criação de um espaço próprio dedicado à arte. Ainda assim, garante que continua a olhar para o futuro com a mesma curiosidade que sempre a acompanhou.
Texto: Janeth Cabeia



